DE INICIANTE A CLASSE A

O objetivo desta seleção de partidas é possibilitar a enxadristas iniciantes, classes C e classes B, vivenciar as minhas experiências “De Iniciante a Classe A”, de forma a aproveitarem estas informações para os seus próprios aperfeiçoamentos.

Foi com base nestas experiências que tive uma rápida ascensão à Classe A.

Comentarei desde a minha primeira partida de treinamento anotada no meu caderno de xadrez, até o meu primeiro campeonato carioca quando atingi a classe A.

.

As primeiras partidas, da minha fase de “Iniciação” darão uma ideia de como é dura a vida de um principiante, cheia de emoções, inseguranças, erros, aprendizados … tudo o que acontece normalmente nas partidas de principiantes, e te ajudarão a passar por esta etapa mais preparado.

.

A seguir comento algumas partidas da minha fase “Classe B” e da fase “Rumo à Classe A”.

.

Isto só está sendo possível porque desde o início, percebi a importância de registrar e analisar as nossas próprias partidas, uma das principais atividades para quem pretende aperfeiçoar-se no xadrez.

Felizmente, captei esta idéia logo no meu primeiro livro, Estratégia Moderna do Xadrez, de Ludek Pachman, onde ele diz:

“Pode-se ver que minhas próprias partidas se encontram com comparativa frequência. Isto não significa que eu as considere os melhores exemplos de jogo estratégico correto, mas sim que cada enxadrista sente suas próprias partidas melhor do que as alheias e pode, portanto explicar melhor os processos analíticos que experimentou durante a partida.”

.

Conheça-te a ti mesmo, e meio caminho estará andado! Uma atitude de autocrítica, especialmente nas partidas perdidas, ajudará bastante no processo de aperfeiçoamento do seu jogo. Para aperfeiçoar-se convém examinar os próprios erros, e para evitá-los no futuro é necessário analisá-los com atenção. Eventualmente, um programa de treinamento visando a eliminação desse tipo de erro também pode ajudar.

.

Ao analisar sua própria partida, você estará estudando abertura, transição da abertura para o meio-jogo, estratégia, tática, transição do meio-jogo para o final, final, e aspectos psicológicos de uma partida.

.

É interessante observar como são cometidos pequenos erros ou imprecisões com frequência, dos dois lados, e essa é uma característica do xadrez, em todos os níveis, micros-conflitos que geram micro-vantagens que somadas tornam-se vantagens significativas, talvez capazes de decidir uma partida.

.

Por mais que uma partida contenha vários erros, vale a pena analisar, comentar as melhores variantes na busca da vitória ou do empate. Esse é o trabalho de análise! Esse é o treino!

.

Quando você passar horas analisando uma partida sua, a abertura, o meio-jogo e o final, sem e com engine, pode ter certeza, você terá subido um importante degrau rumo à maestria no xadrez.

.

O fato de eu ter neste início um parceiro de jogo motivado, o amigo Wanderley Nunes, foi decisivo para os treinamentos e minha rápida evolução no xadrez. Recomendo a todo principiante (e também a jogadores avançados) ter parceiros de treinamento!

.

Sempre gostei de analisar e comentar as minhas próprias partidas e aproveitava estes momentos para fazer diversos trabalhos:

Buscar aperfeiçoamentos na abertura;
Descobrir lances táticos;
Avaliar as estratégias adotadas;
Aperfeiçoar a técnica de jogar finais
Comentar ocorrências de antes, durante e depois das partidas.

.

Continuo achando interessante analisar as minhas partidas antigas e “atualizar” as análises e comentários! Tanto isto é bom, que ninguém menos que o então campeão mundial Garry Kasparov escreveu o livro “Test of Time” onde reanalisa algumas de suas partidas, e ele mesmo encontra falhas em suas análises e comentários anteriores.

.

Mas seja autêntico ao comentar. A mentira, o comentário enganoso, é prejudicial. Já dizia o grande Emanuel Lasker:

“Diante do tabuleiro, a mentira e a hipocrisia não sobrevivem por muito tempo. A combinação criadora desmascara a presunção da mentira; os impiedosos fatos, que culminam no mate, contradizem o hipócrita.”

.

Gostaria de ressaltar que vale a pena seguir os conselhos dos grandes campeões do xadrez entre eles Capablanca que dizia:

“Os que desejam progredir devem sempre estar dispostos a jogar e perder. Em geral, aprende-se mais nas partidas que se perdem do que nas partidas que se ganham.”

.

Isso é verdadeiro, se for feito um bom trabalho em cima das derrotas!

.

E o conselho de M.Botvinnik:

“Quem deseja chegar a ser um grande jogador deverá aperfeiçoar-se no campo da análise”.

.

.

Botão para Voltar à Página Anterior